Pecadores nas Mãos de um Deus Irado: trecho doutrinário

Pecadores nas Mãos de um Deus Irado: trecho doutrinário

19/12/2020 3:50 PM
Teologia

Trecho doutrinário do sermão Pecadores nas Mãos de um Deus Irado, de Jonathan Edwards.

"Minha é a vingança e a recompensa, ao tempo que resvalar o seu pé; porque o dia da sua ruína está

próximo, e as coisas que lhes hão de suceder, se apressam a chegar." (Deuteronômio 32:35 ACF1)

"(...) O exame das palavras nas quais eu irei agora insistir é este: - "Não há nada que mantenha pecadores, em

momento algum, fora do inferno, a não ser a mera graça de Deus". - Por mera graça de Deus, quero dizer

sua soberana graça, sua vontade arbitrária, não se prendendo a qualquer obrigação, não impedida por

nenhuma forma de dificuldade, coisa alguma mais que a possibilidade da vontade de Deus tida em seu

menor grau, ou em qualquer outra consideração, qualquer que seja, nenhuma outra mão há a preservar os

pecadores em momento algum. - A verdade deste exame pode aparecer através das seguintes

considerações:

1.Não há nenhuma falta de poder em Deus para lançar pecadores ao inferno a qualquer instante.

As mãos dos homens não têm forças quando Deus se levanta. O mais forte não Lhe pode resistir,

nem pode escapar de suas mãos. - Ele não somente é capaz de lançar pecadores ao inferno, mas

pode fazê-lo muito facilmente. Algumas vezes um príncipe terreno encontra grande dificuldade para

subjugar um rebelde que tenha encontrado meios de se fortificar, e que tenha se feito forte pelo

número de seus seguidores. Mas, não é assim com Deus. Não há fortaleza que sirva de defesa

contra o poder de Deus. E ainda que mãos se unam a outras mãos, e vastas multidões de inimigos

de Deus se combinem e se associem, eles serão facilmente feitos em pedaços. Eles são como um

grande monte de finas moinhas diante de um tufão; ou grandes quantidades de restolho seco diante

de chamas devoradoras. Nós achamos fácil pisar e esmagar um verme que vejamos a se arrastar

pelo chão; assim também nos é fácil cortar ou queimar uma fina linha na qual alguma coisa esteja

pendurada: pois é fácil assim para Deus, quando deseja, lançar seus inimigos até ao inferno. O que

nós somos, para que pensemos em nos colocar contra Ele, por cuja repreensão a terra treme, e

diante de quem as rochas são esmagadas?

2.Eles merecem ser lançados ao inferno; tanto que a divina justiça nunca se interpõe no caminho,

ela não faz nenhuma objeção quanto a Deus usar seu poder no momento de destruí-los. De fato, ao

contrário, a justiça clama por uma infinita punição de seus pecados. A justiça divina diz daqueles

que geram tais uvas de Sodoma: "Corta o; por que ocupa ainda a terra inutilmente?" Lucas 13.7. A

espada da divina justiça está neste momento brandindo sobre suas cabeças, e não há nada além

da mão da soberana misericórdia, e da mera vontade de Deus, detendo-a.

3.Eles já estão sob uma sentença de condenação ao inferno. Eles não somente merecem,

justamente, serem lançados lá, mas a sentença da lei de Deus, que é a eterna e imutável regra de

justiça que Deus fixou entre Ele e a humanidade, foi contra eles, e permanece contra eles, tanto que

já estão suspensos sobre o inferno. João 3:18 "Quem não crê já está condenado". Assim é que

cada homem não convertido pertence ao inferno; que é seu lugar; de lá ele é. João 8:23 "Vós sois

de baixo." E para lá estar, é levado; é o lugar onde a justiça, e a palavra de Deus, e a sentença da

sua imutável lei serão aplicadas sobre este homem.

4.Eles são agora objeto daquela mesma ira e vingança de Deus, que é expressa pelos tormentos

do inferno. E a razão pela qual não vão ao inferno neste mesmo instante, não é porque Deus, em

poder de quem estão, não esteja neste momento grandemente irado com eles, da mesma forma

como está com as muitas miseráveis criaturas que estão agora em tormentos no inferno, as quais lá

sentem e suportam a fúria de sua ira. Na verdade, Deus está irado em um grau muito maior com um

grande número dos que estão agora na terra; sim, e sem dúvida, com muitos que estão agora nesta

congregação (os quais, é possível, estejam bem à vontade), do que está com muitos daqueles que

estão agora nas chamas do inferno.

Tanto que não é porque Deus esteja desatento às suas maldades, e não se ressinta delas, que Ele

não deixa sua mão baixar e cortá-los fora. Deus não é de forma alguma como eles próprios, apesar

deles O imaginarem como sendo. A Ira de Deus queima contra eles, sua condenação não descansa,

o abismo está preparado, o fogo está pronto, a fornalha já está quente, pronta para recebê-los; as

chamas estão neste momento intensas e ardentes. A resplandecente espada está afiada, e

levantada sobre eles, e o abismo tem aberto sua boca abaixo deles.

5.O diabo permanece pronto a cair sobre eles, e apanhá-los como seus próprios, no momento em

que Deus o permitir. Eles lhe pertencem; ele tem suas almas em possessão, e sob seu domínio. As

Escrituras os representam como suas posses, Lucas 11:21. Os demônios os assistem; estão

sempre com eles à sua mão direita; os demônios permanecem aguardando por eles, como vorazes

leões famintos que vêem sua presa, e esperam conseguí-la, mas que por enquanto são mantidos

afastados. Se Deus retirasse sua mão, pela qual os demônios estão sendo contidos, eles iriam

imediatamente voar sobre suas pobres almas. A antiga serpente está escancarada para eles; o

inferno abre sua enorme boca para recebê-los; e se Deus assim o permitisse, seriam rapidamente

engolidos e estariam perdidos.

6.Há nas almas dos pecadores princípios diabólicos reinando, os quais num instante queimariam e

arderiam no fogo do inferno, não fosse pela restrição de Deus. Existe guardada na própria natureza

do homem carnal, uma fundação para os tormentos do inferno. Existem neles princípios

corrompidos, em reinante poder, e em plena possessão deles, que são as sementes do fogo do

inferno. Estes princípios estão ativos e são poderosos, e extremamente violentos em sua natureza,

e se não fosse pela restringente mão de Deus sobre eles, rapidamente eles se romperiam e se

incendiariam, da mesma forma que estas mesmas corrupções, que o mesmo inimigo cria nos

corações das almas em danação no inferno, e produziriam os mesmos tormentos que nelas

produzem. As almas dos pecadores são comparadas pelas Escrituras a um mar bravo, Isaias 57:20.

No momento, Deus restringe sua maldade através de seu imenso poder, como Ele faz com as

furiosas ondas do mar turbulento, dizendo: "Até aqui virás, e não mais adiante"2, mas se Deus

retirasse este poder restringente, ele levaria rapidamente todos consigo. O pecado é a ruína e a

miséria da alma; é destrutivo em sua natureza; e se Deus o deixasse sem sua restrição, nada mais

seria necessário para tornar a alma completamente miserável. A corrupção do coração do homem é

sem moderação e não tem limites em sua fúria, e enquanto o pecador aqui viver, é como fogo

contido pela restrição de Deus; levando-se em conta que se for deixado solto incendiará o curso da

natureza e o coração será então uma fossa de pecado, assim se o pecado não fosse restringido,

imediatamente transformaria a alma em um forno ardente, ou em uma fornalha de fogo e enxofre.

7.Não há segurança para pecadores em momento algum, ainda que não existam meios visíveis de

morte à mão. Não há segurança para um homem natural, ainda que agora esteja com saúde, e que

não veja de que forma possa já agora sair do mundo por causa de algum acidente, e que não haja

qualquer perigo visível em nenhum aspecto de suas condições de vida. A contínua e variada

experiência do mundo em todos os tempos, mostra que isto não é evidência de que um homem não

esteja à beira da eternidade, ou de que o próximo passo não ocorra em outro mundo. O invisível, os

imprevisíveis caminhos e meios pelos quais as pessoas vão subitamente para fora deste mundo são

inumeráveis e inimagináveis. Homens inconversos andam sobre o abismo do inferno em uma

cobertura podre, e há inúmeros lugares nesta cobertura tão fracos que não suportarão seu peso, e

estes lugares não são visíveis. As flechas da morte voam invisíveis mesmo ao meio-dia; a vista mais

aguçada não as pode discernir. Deus tem muitos e insondáveis meios de levar pecadores para fora

deste mundo e enviá-los ao inferno, e não há nada que mostre isto, de modo que Deus não tem

necessidade de ficar à busca de um milagre, ou de alterar o curso normal de sua providência, para

destruir qualquer pecador, em um momento qualquer. Todos os meios que existem para que

pecadores saiam deste mundo estão nas mãos de Deus, e estão tão universal e absolutamente

sujeitos ao seu poder e determinação, que não depende de nada além da mais simples vontade de

Deus, para que os pecadores sigam em um instante qualquer para o inferno, mesmo que estes

meios jamais tenham sido utilizados, ou que não sejam concernentes ao caso.

8.A prudência e o cuidado dos homens naturais em preservar suas próprias vidas, ou o cuidado de

outros em preservá-las, não lhes dá segurança em tempo algum. Disto, a divina providência e a

experiência universal dão também testemunho. Há esta clara evidência de que a sabedoria própria

dos homens não lhes é segurança contra a morte; porque se fosse de outra forma nós veríamos

alguma diferença entre os homens sábios e políticos do mundo, e os outros, com relação à sua

sujeição a uma morte prematura e inesperada: mas como é isto de fato? Eclesiastes 2:16 "E como

morre o sábio, assim morre o tolo!"

9.Todos os esforços e a sagacidade dos pecadores, as quais usam para tentar escapar do inferno,

enquanto continuam a rejeitar a Cristo, e portanto, permanecendo pecadores, não lhes garantem

contra o inferno em nenhum momento. Praticamente qualquer homem natural que ouve sobre o

inferno, ilude a si mesmo de que irá escapar dele; ele depende de si mesmo para sua própria

segurança, e se ilude sobre o que já fez, sobre o que tem feito, ou sobre o que pretende fazer. Cada

um projeta maneiras em sua própria mente sobre como evitará a danação, e se ilude achando que

planejou bem para si mesmo, e que estes esquemas não irão falhar. Eles ouvem, na verdade, que

há muito poucos salvos, e que grande parte dos homens que antes morreram foram para o inferno;

mas, cada um imagina que projetou maneiras melhores para seu próprio escape do que os outros

fizeram. Ele não tem a intenção de ir àquele lugar de tormento; diz a si mesmo, que pretende tomar

um cuidado efetivo, e estabelecer fórmulas tais que ele mesmo não venha a falhar.

Mas, os tolos filhos dos homens miseravelmente se iludem a si mesmos com seus próprios

esquemas, e certos de sua própria força e sabedoria, confiam em nada mais do que uma sombra. A

maior parte daqueles que antes viveram sob estes mesmos meios de graça, e que agora estão

mortos, foram indubitavelmente para o inferno; e isto não ocorreu porque eles não foram tão

espertos quanto aqueles que agora estão vivos: não aconteceu porque eles não tenham projetado,

para si mesmos, maneiras de escapar tão boas que assegurassem seu próprio escape. Se nós

pudéssemos falar com eles, e inquirir deles, um por um, se eles esperavam, quando vivos, quando

ouviram sobre o inferno, que em algum momento estariam sujeitos àquela miséria, sem dúvida,

iríamos ouvir um por um responder: "Não, eu nunca pretendi vir para cá; eu tinha planejado as

coisas de outra forma em minha mente; eu pensei que havia planejado bem para mim; - pensei que

meu esquema fosse bom. Eu pretendi tomar cuidados efetivos, mas ela veio sobre mim

inesperadamente; eu não a procurei naquele instante, ou daquela forma; ela veio como um ladrão: -

A morte levou a melhor sobre mim. A Ira de Deus foi rápida demais para mim. Oh, minha

amaldiçoada insensatez! Eu estava me iludindo e me agradando com sonhos vãos do que faria na

vida futura, ao tempo em que dizia: Paz e segurança, então me sobreveio repentina destruição."

10.Deus não se tem colocado sob nenhuma obrigação, por qualquer promessa, a manter homens

naturais fora do inferno em momento algum. Deus certamente não fez promessas seja de vida

eterna, ou de qualquer livramento ou preservação da morte eterna, além das que estão contidas na

aliança da graça, as promessas que são dadas em Cristo, no qual todas as promessas estão, de

fato e amém. Mas, certamente não têm interesse nas promessas da aliança da graça aqueles que

não são filhos da graça, aqueles que não crêem em quaisquer de suas promessas, e não têm

interesse no Mediador da aliança.

Assim é que, com relação a tudo o que alguns têm imaginado e aspirado sobre promessas feitas às buscas

e batidas honestas de homens naturais, é evidente e manifesto, que a despeito dos esforços que um

homem natural tome em religião, a despeito das orações que faça, até o momento em que venha a crer em

Cristo, Deus não está de forma alguma obrigado de protegê-lo um momento sequer da destruição eterna.

Assim é que, desta forma estão os homens naturais seguros pela mão de Deus, sobre o abismo do inferno;

eles merecem o abismo de fogo, e já estão sentenciados a ele; e Deus está sendo terrivelmente provocado;

sua ira é tão grande contra eles quanto para com aqueles que estão agora sofrendo as execuções da

ferocidade de sua ira no inferno, e eles não tem feito nada para abrandar ou abater esta ira, nem está Deus

ao menos preso por qualquer promessa a mantê-los um instante que seja; o diabo os está esperando, o

inferno está escancarado para eles, as chamas juntam-se e flamejam por eles, e irão alegremente envolvêlos,

e engoli-los; o fogo contido em seus próprios corações está se debatendo para sair. E eles não têm

qualquer interesse em um Mediador, não há meios através dos quais alcancem o que lhes pode ser de

segurança. Resumindo, eles não têm refúgio, nada que os mantenha, tudo o que os preserva em cada

momento é a mera vontade arbitrária e a não pactuada, não obrigada, clemência de um Deus enfurecido.(...)"

Consultado em 19/12/2020: http://www.faberj.edu.br/cfb-2015/downloads/biblioteca/teologia/Pecadores_nas_Maos_de_um_Deus_Irado.pdf

Traduzido por Walter Andrade Campelo.

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