E-mail é inovação disruptiva?

E-mail é inovação disruptiva?

23/11/2020 3:17 PM
Inovação

E-mail: inovação contínua ou disruptiva? A última, transforma o conhecimento existente obsoleto em algo novoe superior. Por exemplo, a invenção da ATM (caixa eletrônico) obrigou o usuáriobancário a reaprender como pagar contas, consultar saldos e sacar dinheiro porele mesmo, inclusive eliminando a função do caixa de banco.

Já a contínua, apresenta uma melhoria no uso ou relacionada à produtividade, mas que não obriga o usuário a reaprender, talvez aprender novas coisas, mas o conhecimento acumulado ainda lhe é útil.

O e-mail é, portanto, uma inovação do tipo contínua. Pasmem vocês, as pessoas se comunicavam de forma escrita antes do e-mail: é sério!!!!

Contando apenas a história do ambiente de trabalho: cartas invariavelmente escritas em uma máquina de escrever, com papel carbono, enviadas via telex ou fax (vejam a data em que ofac-símile foi inventado).

Aí veio os bulletin boards e mensagens trocadas dentro de shells de texto no ambiente operacional e por fim, ele, o e-mail. É sobre ele que escrevo, não como mais um texto de protocolo ou etiqueta, mas como um alerta ao paradoxo da produtividade que essa inovação contínua prometeu, mas será que entregou?

E-mail como inovação contínua: o que mudou?

 

Perceba que o conhecimento relevante em toda essa evolução é saber escrever, se numa máquina de escrever ou fax, oque importa é dominar a técnica do bem redigir. O novo foi o computador e oprograma (ou app) do e-mail, entendendo o que cada ícone significa (aliás,linguagem iconográfica não é invenção moderna) e tendo a capacidade de mover o mouse ou o dedo para pressionar o ícone, o resto não passa de saber escrever.

Mas, o e-mail facilitou muita coisa:

a)   Não se tem mais a preocupação, a menos em casos muito formais, de nos atentarmos com ocabeçalho da carta: de quem, para quem, onde e local  - tudo já está automatizado;

b)   Assunto: nem se preocupe, é só preencher o campo. Tabulação, siglas, pontuação, esqueça - ésó escrever alguma coisa;

c)   Corpo do texto: introdução, tema, desenvolvimento e conclusão resgatando o tema, nada disso importa. O importante é ser objetivo, passando a mensagem e o seu problema adiante.

O e-mail e sua relação coma produtividade

Ah, e aqui está a questão: será queo e-mail aumentou a produtividade ou ele se tornou a ferramenta mais eficaz para justificar o erro de atribuição fundamental?

Sei de uma mentira universal: li eaceito. Quem de fato lê todos os termos? A segunda: quem de fato lê todos os e-mails?

Minha caixa postal consegue receber 300 mensagens por dia. Se eu tomar 2 minutos para ler cada uma, lá se vão 2 horase meia de um dia de 8 horas de trabalho, ou seja, dedicaria 31% do meu tempo lendo e-mails.

Segue o próximo problema, que é saber quais são relevantes e quais não. E aí cada qual estabelece seu critério, que não necessariamente é o mais assertivo.

Outra questão de produtividade: decifrar e-mails, isso consome um tempo danado! Quantas vezes me pego perguntando coisas assim: essa vírgula aqui foi sem querer ou ele quis dizer isso mesmo?

Bem, para esse não ser mais um texto que ninguém lê: se você chegou até aqui é porque, de algum modo, se identifica com essa dor. Então, aí vão 3 comportamentos envolvendo e-mail.

Primeiro: o profissional tem umademanda a cumprir, ou entregar, como se diz nas organizações e depende da ação de um outro.

Segundo: escreve o que acha ser oproblema (o que acha que precisa).

Terceiro: manda o email, e pronto!

Tem certeza? Pense comigo:

a.   Quem disse que o receptor entendeu, sem precisar mandar outro e-mail em resposta pedindo esclarecimentos?

b.    Quem disse que a outra parte está comprometida em resolver?

c.    Quem disse que a outra parte leu? Cuidado com os marcadores de leitura! É o mesmo que sensor de audiência por presença: se o cachorro da casa estiver no sofá e a televisão ligada ele virou audiência.

d.    Ainda copia o chefe do outro achando que com isso obterá compromisso.

Crendo nisso, quando o prazo chega e a entrega não acontece, o emissor do e-mail, invariavelmente sai com essa: mas eu mandei o e-mail tem mais de quinze dias! E assim crê que a responsabilidade não é mais sua, reforçando o erro de atribuição fundamental. E o pior, e mais patético, é quando a pessoa que acaba de receber a carraspana, manda outro e-mail ou um WhatsApp cobrando.

Seguem 3 recomendações sobre como usar oe-mail de forma produtiva:

          1.   Fale antes -preferencialmente pessoalmente, por telefone ou por videoconferência com acâmera ligada (passa mais credibilidade);

          2.   Negocie (lembre-se de que negociar implica em uma troca: você tem algo que interessa ao outro e vice-versa), apresente o contexto, senso de urgência e obtenha o compromisso. Palavra e honra, apesar de meio fora de moda, ainda valem, e, uma falha em cumprir o apalavrado arranha a relação, ás vezes de forma irrecuperável;

          3.   Só então escreva o e-mail, apenas com o propósito de registro e garantia de correto entendimento. E pare por aí, porque a cobrança tem que ser pessoal.

Como tudo na vida, essas recomendações não devem ser levadas a ferro e fogo: há situações em que o e-mail direto, sem esse ritual é necessário, e a única saída.

Menos e-mails e mais humanização na relação de trabalho. Certamente, ações como essas propostas, vão melhorar as relações de trabalho, gerando maior comprometimento e reduzindo o vai e vem de e-mails improdutivos, mas que têm como único propósito, proteger a posição decada um.

Um e-mail não é a garantia de que oproblema foi passado adiante, de lavar suas mãos numa bacia de prata.

O e-mail é uma inovação contínua de relacionamentos humanos, serve para torná-los mais eficazes e eficientes, e asentregas das organizações mais assertivas e tempestivas. Essa é a boa e velha inovação.

 

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